quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

vereda(s)

me diga o motivo de tua angústia

que te direi o não-motivo da minha,

o desmotivo de ser-estar

café com chocolate

abacate com limão


não entendo o porquê de tua luta

mas vá, me diga o motivo de ela existir

que te digo o imotivo de minha abstenção


continue, prossiga

me fale o que não te faz rir

porque quero te dizer

como minha gargalhada

surge, assim,

no meio do nada,

sem motivo


poço de lamentos

solte aí teus chorares

destrave as amarras

jogue na atmosfera

esses tomates secos

esse azedo nó do peito


descarregue essa encomenda

mas faça logo


coragem,

ser sem piedade de si

vamos já com isso


quero rir de tua desgraça

me esbaldar em tua tristeza

que só me alimenta de prazer


desenlace essa amargura

que farei dela minha fortaleza

minha overdose de sossego


quero essa lágrima

saindo rapidinho

esse soluço bem forte

bem expansivo


e me deleito de tanta euforia

e me devoro de êxtase

e ascendo meu caminho

para um nirvana de risos


e de tanto rir

que minha saliva

doce

transborde,

e encontre esse sal vivo

a derreter tu’alma


rio e mar

do púrpuro nada que é

viver

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