E segue que segue o norte de uma das ruas. Cansado de tanto cansaço, nem tem tempo de olhar para o lado.
E passa que passa a palmilhar uma calçada já tão velha. Velho pensamento de quem palmilha. Pensamento velho que não deixa olhar mais para nada.
Do outro lado, um homem, deitado numa calçada nova, com uma coberta descobrindo os pés:
- Ei, seu doido. Você é doido de pedra mesmo hein!
Mas pensamento é tão velho que nem frase nova faz pensar que é com ele.
E segue que segue a palmilhar uma calçada tão nova. Pensamento novo repete pensamento velho de outrora.
- Licença, preciso atravessar a rua!
- Pois não.
Pela esquina não é um que atravessa. São muitos com pressa. Muitos porque o tempo interessa mais do que o próprio tempo que passa. O tempo se perde na fumaça. E a fumaça é cinzenta, como o pensamento velho do rapaz novo.
- Bom dia, você sabe como faço para ir para o outro lado da rua?
- Sim, é só atravessá-la.
E passa que passa o norte de uma das ruas. O olhar para baixo. Rapaz novo. Pensamento velho de fumaça cinzenta...
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
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