Certa vez, saí de uma caverna meio escura.
Em sentido contrário ao calor.
Senti frio.
Chorei.
Fui ofuscado por uma luz deveras artificial.
Fui banhado por águas menos puras das que até então estava imerso.
De curvo, fiquei mais ereto.
De amorfo, fui ganhando contornos definidos.
Muitos toques.
Muitas vozes.
Muitos sorrisos.
Muito pano.
Cresci, de verdade, como pessoa depois disso.
Me desenvolvi.
De objeto, virei independente.
Dono dos próprios ouvidos.
Da própria boca.
Dono do próprio nariz.
Co-dono da casa própria.
Co-proprietário do próprio carro.
Nada mais me ofusca.
Nem Brasília.
Nem de time adversário, o gol.
Ando com as pernas minhas.
Sem olhar para trás.
Porque já me livrei das trevas de onde vim.
Já me livrei das amarras.
Já tracei o meu fim da linha.
E o fiz com muita alegoria.
E concluí, fechada, minha filosofia.
Isso aqui.
Descoberto.
Desmundo.
Nu.
É verossimilhança.
E só.
sábado, 12 de abril de 2008
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2 comentários:
Hoje posso dizer que ando com minhas pernas...
Tudo parecia tão distante para mim e agora sinto tudo tão peto, tão real... já não existem mais amarras... só sentindo para saber..
Posso usar esse seu texto, em minhas aulas, para comparar com o mito da Caverna de Platão? Abraços Rodrigo, amigo do Fabio, Firmino firmeza.
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